segunda-feira, 20 de junho de 2016

Meu pequeno balão de pensamento

Hoje, indo para o trabalho, encostei minha cabeça no vidro do ônibus para relaxar. Quando meu primeiro pensamento veio à cabeça, surgindo como um balãozinho, em sentido figurado, percebi que ele foi esmagado por vários outros balõezinhos. Perguntei-me: como poderia não haver espaço para o meu pensamento, quando havia um relativo espaço físico vazio dentro do transporte onde o silêncio imperava? Notei que exatamente o silêncio é o barulho da mente. Quantas pessoas estavam ali caladas, mas seus pensamentos estavam além desse dia, além daquele local. Pessoas que não interagiam entre si, talvez pela premissa de achar resultados para seus pensamentos acelerados: final de semana, filhos na escola, problemas financeiros, amorosos e tantos outros desconhecidos. Quanto mais alguém se cala, mas seus pensamentos gritam. Enquanto esse ônibus atravessava Brasília em um silêncio profundo, com ele estavam abafados todos os pensamentos daquelas pessoas, pensamentos de raiva, saudade, amor, paixão, tesão, preguiça, frustração, desejos, tristezas, etc. E então, uma mulher desafiou o frio intenso para abrir uma fresta da janela onde minha cabeça estava encostada. Talvez ela estivesse pensando exatamente como eu e seu impulso foi o da libertação, ou talvez ela apenas estivesse se sentindo abafada – como estava o meu pensamento. Foi aí que vários balõezinhos se dissiparam e o meu pode surgir com uma única mensagem: por que os remédios para gripe dão tanto sono? Preciso melhorar logo...

terça-feira, 1 de março de 2016

Saindo de cena...

Reprodução/NOO
Tem horas que você percebe que o show acabou e não tem ninguém mais na plateia para te aplaudir. Apenas os sons reverberando na mente de quando os holofotes iluminavam todo o recinto, de quando havia luz. Palmas para o que foi feito, sendo ovacionado em todas as conquistas, em todos os momentos de glória, e agora? Esse lugar não tem luz, o único eco é o das batidas de um coração apertado e velho batendo em descompasso. Ah, se eu soubesse que esse dia chegaria com gosto tão amargo, teria construído um lugar ao pôr do sol para observar as aves que fogem para um lugar de esperança. Mas eu quis viver aquele momento, como se eu fosse jovem para sempre, como se o amanhã nunca chegasse. Era intenso e quente, havia aquela chama dentro de mim que queimava dia após dia, com o tempo se apagando e se transformando em cinzas. Cinzas é o que sou, um corpo de cinzas frio e de labaredas quase sendo cessadas pelo vento frio das ruas poluídas. É hora de sair de cena, resguardar o pouco que sobrou, como os animais que somem procurando um lugar para se despedir, sem incomodar os donos. É hora de abaixar as cortinas e tirar o sorriso do rosto, é hora de agradecer ao público por ter comparecido ao grande espetáculo da vida. Eu entretive as multidões enquanto tive forças, enquanto havia algo para oferecer, enquanto minha mente se transbordava em inspirações.




segunda-feira, 14 de setembro de 2015

GOING BACK TO OURSELVES

Eliseo Fernandez/Reuters

As I was walking down the street today, I realized that I had forgotten where I came from, and who I truly was. Life can be so tough, busy and fast, but sometimes we need to go back to where it all began. I was walking through several blocks of streets and began to see bars, humble people putting clothes on the clothes-line, people gathering around the front porch of the house drinking beer, black people braiding each others hair and working on their dreadlocks, talking, laughing. And i thought to myself, what about me? where am I going? Then I think about how I have to make a change of tracks in my life, sort of like a train that is constantly changing rails does. I don't know anything about this life. I thought I knew what I would face straight ahead down the road, but I really don't.
Going back to my roots is a kind of trip to my inner person, where I felt I was safe and sound, where there were no obstacles or challenges. I'm not complaining about where life has taken me, I just think I need to go back to who I really am. To use my past experiences as a shield against the tough moments in life. Return to ourselves (in essence) is like taking strenght to reassert our personality, our life story, our honesty and carrying on, always being ourselves. We need to support ourselves based on our truth. When you're being yourself, is truly what makes things in life come naturally.

terça-feira, 9 de junho de 2015

... ISSO ME OFENDE

Depois de ver o mundo cibernético sucumbindo em ódio, tenho que dizer o que realmente me ofende.  Me faço essa pergunta diariamente, porque as pessoas gastam tanto tempo em querer tirar a liberdade de outros querendo fazê-los pensar e ou agir como uma “maioria” tradicional. O que é tradicional? Costumes e pensamentos enraizados em ódio gratuito oriundos de um tempo em que todo mundo vivia sobre as rédeas da sociedade, vivendo sempre de aparências e se entregando a uma hipocrisia social do “politicamente correto”? A que era eu cheguei, onde o progresso nunca vem, onde as pessoas boicotam empresas e novelas, que assassinam gratuitamente, que desviam o foco para o que realmente importa; de gente superficial que se baseiam em opiniões televisivas, que condenam facilmente, que mudam de ideologias rapidamente. Gente POSER! (“Poser” é um termo para designar gente superficial que vive de aparências e que diz gostar de algo por ser conveniente). Vivo num mundo POSER! Ninguém liga para o trabalho escravo, para a destruição do meio ambiente, para a segregação, o preconceito, para a corrupção não só no governo federal, mas no estadual e municipal também, ninguém liga para as fraudes que o próprio cidadão comete para se dar bem de alguma forma, ninguém liga para as mentiras, para o abuso infantil, para a violência doméstica, para a guerra política e religiosa, ninguém liga para o que é realmente importante. Isso tudo me ofende!

 Essa foto tirada pelo fotógrafo Kevin Carter , de uma menina que rastejava em direção a um distante posto de alimentação, enquanto era observada por um abutre que esperava ela morrer,  é uma das imagens que mais me preocupam e eu me pergunto novamente: O QUE É IMPORTANTE PARA O MUNDO? Kevin recebeu prêmio pela fotografia, mas um tempo depois cometeu suicídio, mas antes de morrer deixou uma mensagem: "Estou deprimido… [...] Sem dinheiro para ajudar as crianças… [...] Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor… Pelas crianças feridas ou famintas… Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos […]"
Estou cansado de rótulos, de ver a humanidade perder o foco, retrocedendo e se autodestruindo. É como se todo mundo andasse com uma bomba invisível agarrada ao corpo esperando para explodir em ideologias superficiais radicalistas. O mundo anda muito extremo, eu me sinto andando em solo minado todo o tempo, onde não posso falar, ouvir, ser o que eu quiser ser.  Eu sou cristão, sou ateu, sou hétero, sou gay, sou branco, sou preto, sou gordo, sou magro, sou rico, sou pobre, sou pecador, sou santo. E tudo que me proíbe de ser tudo isso, me ofende!

terça-feira, 3 de março de 2015

SONHOS E DESEJOS


Pela primeira vez na vida faço uma reflexão baseada em uma passagem de livro que acabei de ler, mas não é a primeira vez que faço uma reflexão sobre sonhos ou desejos. No livro “Águas Turvas” de Helder Caldeira, há uma passagem em que Gabriel e Justin, após serem apresentados para a família de Justin como um casal que se amam, refletem sobre a diferença entre desejos e sonhos. De fato são coisas tão diferentes como amor e paixão. Digamos que desejos é a paixão e sonhos é o amor. Desejos é aquilo que almejamos agora, nossos planos concretos, e sempre que alcançamos um, lá vamos atrás de outros. É o que nos mantém em movimento durante o agora, São prazeres momentâneos que acabam rápido, mas que estamos sempre re-desejando.Sonhos é como o amor, é aquilo de mais forte, que está sempre lá como algo maior, como um prazer, mas não momentâneo, mas uma realização de sentimento eterno. Sonho é aquilo que muitos arriscam viver, mesmo sem saber o que e de que será preciso abrir mão. Geralmente temos vários desejos, mas sonhos não. Assim como nos apaixonamos diversas vezes, mas amores são poucos que nos fazem querer viver  para sempre ao lado de alguém até a morte.  Gabriel diz a Justin (pág. 175) que o desejo é algo mais próximo a realidade ou à conquista [...] Já os sonhos estão um andar acima, na quase intocabilidade. São eles que nos fazem subir o tempo todo. E desejos são os degraus dessa subida! Quando conquistamos um desejo, subimos um degrau a mais em busca dos nossos sonhos. [...] Deveria dizer, assim como Gabriel diz, que sonhos são coisas arriscadas, e que para segui-los precisamos tomar o mundo, precisamos sair de nossas tocas e desbravar o mundo de possibilidades. A segurança que sentimos em estar confortáveis em nossa própria pele nos faz deixar de arriscar e vivê-los e na maioria das vezes, os sonhos ficam em pendência. Mas o que esquecemos é que, embora não tenhamos tantos retornos que o mundo capitalista exige, os nossos sonhos nos fazem ser pessoas completas e cheias de amor ou alegria. Como diz uma música chamada Soar “What is it in us that makes us feel the need to keep pretend? Gotta let ouselves be... Don’t be scared to fly alone, find a path that is your own... Spread your wings and soar.”* 


- CALDEIRA; Helder. Águas Turvas. 1º Ed. São Paulo: Quatro Cantos, 2014. 



*O que há em nós que nos faz ter a necessidade de continuar fingindo? Deixamos ser... Não tenha medo de voar sozinho, encontre um caminho só seu... Abra suas asas e voe.”  (Written and composed by Christina Aguilera, Rob Hoffman and Heather Holley. Performed by Christina Aguilera. Stripped, 2002. RCA records)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Superficial como gelo do lago


Durante esse longo ano , além de tudo que aprendi, passei a observar mais as pessoas. Isso entra na minha forma de selecionar as pessoas pelo seu caráter e saber que tipo de pessoas eu lido todos os dias. Percebi, sem fazer nenhuma pesquisa detalhada, que a maioria das pessoas são superficiais (não todas). Mas algumas tão superficiais quanto o sereno que cai ao sol quente, a maquiagem que cobre as imperfeições, quanto as bijuterias que de longe percebe-se que são feitas de latão, quanto os aromatizantes e colorantes químicos . Há muito tempo tenho observado quanto as pessoas mudam de caráter  quando querem algo material ou mesmo um elogio para alimentarem o próprio ego porque não se sentem felizes com quem são e precisam de “supostas” aprovações. Já vi as mesmas pessoas mentirem e contarem  as mesmas histórias inúmeras vezes diferentes e fantasiosas para se sentirem aceitas pelo que elas consideram “pessoas influentes”. Já vi pessoas abrirem a boca em defesa de certas bandeiras que elas nunca defenderam, apenas para estarem integradas em algo. Alias, vi muitas pessoas que sentem a necessidade de pensar como o coletivo, mas só quando esse coletivo é  “bem-visto” socialmente. Eu sempre achei que muitas pessoas perceberiam a artificialidade de outras, mas vi que às vezes elas são tão profissionais que enganam até a si mesmo e vivem em um mundo de ilusão e fantasia. Vi muita gente em cima do muro apenas por medo de se comprometerem diante outras pessoas, quando essas possuíam duas ou mais  personalidades tão distintas para cada lado. Há ainda aquelas pessoas que se beijam e se abraçam enquanto em outros ocasiões se alfinetavam (lógico, pelas costas). Vi muitas pessoas vazias que faziam uma bela cobertura de bolo, colorido e cheiroso, enquanto o gosto era amargo e o recheio podre.  Vários “nuncas” foram ditos quando estes não duravam 10 minutos. E como se diz hoje em dia, eu só observo. Não estou falando de maneira alguma que eu me isento de tudo isso, mas ao contrário, mostro realmente quem sou e o que penso, mas como sempre falo em meus textos aqui, nem todos estão preparados e se sentem ofendidos ou até mesmo ameaçados. Por exemplo, já fiquei sabendo de pessoas que destruíram minha imagem para outras por medo de máscaras caírem. Mas como eu disse, sempre fico na minha e só observo. Eu sei que internamente sou uma bagunça, sei os pesos que carrego comigo, sei os tropeços que levo e as quedas que me derrubam, mas prefiro ser isso, essa bagunça, esse bolo tão mal enfeitado e, às vezes, com uma cobertura amarga, mas com um recheio doce e saboroso do que ser superficial como o gelo de um lago que vem em temporadas e nunca se sustenta por muito tempo e logo derrete.  Prefiro ser estável em quem eu sou do que ser um lugar tão fino que ninguém arriscaria uma caminhada, pois a qualquer momento poderia rachar e levar quem está na superfície para um fundo obscuro e cheio de podridão. 

sábado, 27 de setembro de 2014

(A minha) Metamorfose Ambulante


"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."
-Raul Seixas.


Raul sabia exatamente o que estava falando quando todo mundo o achava meio "fora desse mundo". Claro, eu falo por mim, que bom ter a possibilidade de mudar de ideias e concepções ao longo da nossa jornada. A melhor coisa da minha vida é poder estar sempre em constante evolução. Evolução da humanidade, da alma, do meu ser... Ao olhar para trás e fazer uma reflexão dos meus ideias, consigo medir o tamanho do meu crescimento pessoal, da forma como ganhamos um amadurecimento mais rápido quando estamos sempre procurando saber mais. Já disse em algum texto que a sabedoria é a única coisa que ninguém pode tirar da gente. É a única coisa realmente importante que carregamos conosco. As coisas que penso hoje, obviamente, são totalmente diferentes de quando tinha 15 anos. Aos quase 22 penso de uma forma mais abrangente, mas prudente e espero daqui pra frente aprimorar mais minha visão sobre tudo o que me cerca. Sempre adicionar conhecimento dentro dessa nossa caixa vazia que adquirimos ao nascer ( e olha que interessante, o fundo é infinito). Nosso pensamento é o único lugar onde podemos livremente viajar, um outro mundo onde se criam possibilidades e onde se produzem criativas ideias. Um maquinário espetacular que rege toda nossa vida. Não acredito que haja um único caminho, uma única porta... Acredito em várias opções que nos levam a coisas distintas em vários momentos distintos. E por que não voltar nesse caminho e escolher uma porta diferente? Sempre haverá oportunidades em um tempo certo. Não tenha medo, seria extremamente chato cultivar uma opinião sobre algo a vida inteira. Permita-se evoluir, regenerar seus pensamentos, usá-los em seu beneficio, e lhe proporcionar uma variedades de sentidos. Permita-se ser uma metamorfose ambulante.



Foto: Taylor James Studio
Você poderá encontrar mais imagens no site: http://www.taylorjames.com/project/kalbitor-hands/?thumb=7588

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Abraço, simplesmente abraçar.



Estava aqui pensando o tanto de significados que  um abraço pode ter. Muitas vezes quando eu não tive palavras que pudessem expressar meus sentimentos,  o abraço foi como a abertura da comporta de uma barragem que está a ponto de transbordar. Sei que meus olhos não mentem, talvez minhas ações assim façam, mas meu abraço não.  Já vi meu corpo respondendo negativamente num instinto incontrolável, se afastando e tornando  frio e seco quando se sentia vulnerável, desprotegido ou até mesmo magoado. É difícil dar esse abraço quando sua ponte que interliga sentimentos com outra pessoa está destruída, mas por outro lado, quando estamos dispostos a abrir a guarda e resgatar algo perdido,  esse abraço tem o poder de reconstruir essas ruínas. Sinto falta de tantos abraços, todos singulares e únicos. Insubstituíveis... Já recebi tantos abraços que me aqueceram a ponto de me sentir livre para deixar as lagrimas rolarem, e também houve aqueles que de longe eram artificiais tão quanto os corantes vibrantes dos doces e vinha sempre com invisíveis punhais que cravavam nas minhas costas fazendo com que minha alma vazasse por meu corpo. Afeto e personalidade são uma das inúmeras coisas que podemos sentir através de um abraço. Inclusive, acho que abraço deveria se encaixar na área dos sentimentos em si, porque ele transmite inúmeras sensações que são abstratas, como o amor, a amizade, o ódio, a indiferença, etc.  Alguns abraços deixei pra trás, alguns desejo muito dar, alguns dispenso. É no abraço que a gente se entrega... ou talvez não!  O abraço não desgasta, não vence, e se renova sempre.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

De volta pra casca


Por que as pessoas insistem em querer conversar com você quando você ainda está chateado? 

Existe um tempo que nós precisamos para repensar nas coisas, encontrar uma calma interior para depois estar apto a resolver questões pendentes. Eu não sou perfeito, tenho minhas falhas, e sei que uma delas é dizer coisas, no momento de raiva, que talvez eu me arrependa depois. E quem nunca optou por isso, ou chutou logo o pau da barraca? Que atire a primeira pedra se você é um exímio controlador de suas emoções. Então eu fico na minha, no meu canto, pensando e repensando o que quero pra mim, o que preciso para me sentir bem, do que devo abrir mão, qual o sacrifício que devo fazer... Eu preciso apagar esse quadro todo rabiscado e recomeçar. Uma vez ouvi uma frase no rádio que me instigou, "Ninguém tem o poder de mudar ninguém. Você pode até tentar, mas a outra pessoa mudará sozinha, com a vida." De fato. Abrir mão de querer mudar as pessoas e escolher o que é bom pra você é uma boa. Da mesma forma que é preciso ficar quietinho para mudarmos por nós mesmos. Voltar pra casca sabe? Creio que essa mudança é a mais gratificante! Se sentir bem e em paz te faz desejar isso as pessoas, te faz viver isso. O meu semblante ruim se vai, e no lugar entra um que é mais leve, destemido, seguro e pacífico. Aprender com a vida é o maior ensinamento que podemos ter, e eu digo isso sempre por aqui.



Eu sempre coloco uma música que tem a ver com que escrevo, pois ela é a maior forma de expressar um sentimento verdadeiro.

"Me desenhe um sorriso, me salve essa noite
Pinte-me um coração, deixe-me ser sua arte
Eu sou uma página em branco esperando a vida começar..."



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Você já morreu de AMOR?!


É triste pensar que se pode morrer de amor e ainda estar vivo (Mário Quitanda), pois você sempre estará suscetível a morrer novamente, e sempre e sempre... Então um buraco se abre em seu peito que dói e nunca sara. Aquela queloide horrível aparece no lugar e faz com que seu coração se torne rígido e feio, e você dificilmente o mostrará para outro alguém. Eu já morri de amor algumas vezes, e quem nunca morreu alguma vez que seja?! Achei que nunca seria capaz de amar novamente; mas logo estava lá, me apaixonando outra vez, sem nunca me perguntar se eu realmente sabia o que era o amor. Há aqueles que morrem de paixão, há aqueles que morrem de decepção. Cada um tem sua própria forma de lidar com esse sentimento que nos deixa tão vulnerável. Morrer um pouco a cada decepção, cometer suicídio quando percebemos que aquele amor, que um dia nos encheu de esperança, é perigoso e não têm retorno... “Eu me defendo até do amor que as pessoas me dão...” Maysa certamente sabia do que estava falando quando sua vida amorosa e desastrosa estava publicamente exposta. Basta ouvir algumas de suas músicas, ou de Amy Winehouse, Billie Holiday, Etta James e tantas outras (os) que morreram de amor, em alguns casos, literalmente. São fracos aqueles que morrem de amor?! Ou são dramáticos, ou sensíveis, ou drásticos?! Gastar tantas lágrimas se jogando ao fundo de um poço escuro e frio apenas para se esconder da possibilidade de sofrer novamente seria eficaz?

MORRER DE AMOR - MAYSA

Andei sozinha, cheia de mágoas
Pelas estradas de caminhos sem fim
Tão sem ninguém que pensei
Até em morrer, em morrer

Mas vendo sempre que a minha sombra
Ia ficando cada instante mas só
Muito mais só, sempre a caminhar
Para não mais voltar, eu quis morrer

Então eu via que eu não morria
Eu só queria morrer de muito amor por ti

E hoje eu volto na mesma estrada
Com esperança infinita no olhar
Para entregar todo um coração que o amor
Escolheu para morrer, morrer de amor...

(Oscar Castro Neves / Luvercy Fiorini)